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Impacte na Saúde Humana das Emissões de Benzeno das Estações de Abastecimento de Combustível

A poluição do ar prejudica a saúde humana e o ambiente. Na Europa, as emissões de muitos dos poluentes atmosféricos diminuíram substancialmente nas últimas décadas, resultando numa melhoria da qualidade do ar em toda a região. Contudo, as concentrações de poluentes atmosféricos são ainda demasiado elevadas e persistem problemas de qualidade do ar (EEA [on line, 21/03/2016]).

A distribuição de hidrocarbonetos nas estações de serviço, em particular, as localizadas nos centros urbanos, pode estar associada a importantes impactes na saúde dos residentes na sua envolvente (Correa et al., 2012; Ioj et al., 2011; Esplugues et al., 2010; Terrés et al. (2010).

O benzeno, bem como outros poluentes a ele associados, como o xileno e o tolueno (conhecidos como BTX), são poluentes bem conhecidos, principalmente devido a efeitos adversos significativos, quer por exposição aguda, quer por exposição prolongada, como por exemplo, a hematotoxicidade, a genotoxicidade e a carcinogenicidade. Vários estudos mostraram que concentrações muito elevadas de benzeno foram encontradas no sangue um dia após a exposição de um minuto durante o reabastecimento de um veículo (> 3000 μg.m-3). Este facto pode indiciar problemas, não só para os usuários e trabalhadores das estações de serviço, mas também para os habitantes próximos, uma vez que a inalação é a via dominante de exposição ao benzeno em seres humanos. Para limitar os efeitos de tal exposição, a Organização Mundial da Saúde recomendou um limite anual de exposição ao benzeno relativo à qualidade do ar de 5 μg.m-3. Este valor-limite foi adotado por diferentes países no mundo. No entanto, tratando-se de um poluente cancerígeno, significa que nenhum nível seguro pode ser definido para a proteção da saúde humana. Embora várias políticas tenham sido implementadas em todo o mundo para reduzir as emissões evaporativas das estações de serviço, os valores reportados são ainda elevados.

O trabalho será desenvolvido apoiado em trabalho de campo (medição das concentrações atmosféricas e nível de exposição ao benzeno da população da envolvente), bem como modelação numérica, o que permitirá um avanço no conhecimento desta temática de uma forma cientificamente sustentada e de aplicação generalizada.

O problema do impacte na saúde dos residentes na envolvente a estações de serviço já tem sido trabalhado por alguns dos investigadores integrados neste projeto (Fontes, 2010; Fontes et al, 2016), pelo que já há um conhecimento prévio do problema que se pretende aprofundar.

Assim, o principal objetivo deste estudo é saber quão altos são os níveis de benzeno em torno das Estações de Abastecimento de Combustível (EAC) urbanos e entender como a exposição a níveis de benzeno potencialmente elevados poderá estar associado a neoplasias malignas de tecido linfático, hematopoiético e afins. Uma consequência imediata das conclusões deste projeto seria o apoio ao planeamento urbano da cidade do Porto, estabelecendo distâncias de proteção para quem vive na envolvente a estas infraestruturas.

Objetivo:

  • Avaliar o impacte na saúde humana das emissões das EAC, testando a hipótese: “A exposição ao benzeno na envolvente a estações de abastecimento de combustível (EAC) põe em risco a saúde pública?”

Objetivos específicos:

  • Avaliação dos níveis de concentração de benzeno na envolvente das estações de abastecimento de combustível, no exterior e no interior das habitações;
  • Compreender como varia a exposição ao benzeno e o risco associado de incidência de neoplasias malignas em tecidos linfáticos, hematopoiético ou outros relacionados, na população residente na envolvente às estações de serviço;
  • Qual a distância de segurança recomendável a este tipo de infraestruturas.

Participantes da UFP:

Estarão envolvidos no projeto cinco doutorados, um dos quais com a responsabilidade da coordenação do projeto, dois bolseiros de investigação.

O doutorado encarregue da coordenação do projeto está envolvido a 35%. Os restantes doutorados estão envolvidos a 25%. Relativamente aos bolseiros de investigação, estes colaboraram a 100%, mas só a partir do quarto mês do projeto, sendo que um, André Sousa, durante três meses e o outro, Joana Prata, durante 5 meses.

Os doutorados estão envolvidos nas tarefas de índole científica, executando, no entanto, sempre que necessário, outras tarefas no âmbito específico da sua especialidade.

Na equipa de investigação estão integrados elementos dos dois principais grupos de investigação da UFP (CEBIMED e 3ERL), dando corpo a uma investigação integrada e transversal (Energia-Ambiente-Saúde), fundamento da existência da própria Unidade  de Investigação FP PENAS. Posto isto, a equipa é constituída pelos seguintes elementos:

Projeto apoiado por:

  • O trabalho está a ser executado no âmbito das atividades do Laboratório de Investigação em Energia, Ambiente e Saúde (3ERL) e do Centro de Investigação em Biomedicina (CEBIMED), Grupos de Investigação integrados na Unidade de Investigação Fernando Pessoa em Energia, Ambiente e Saúde (FP-ENAS).  Deste modo, o trabalho é financiado por Fundos Nacionais através da FCT – Fundação para a Ciência e Tecnologia no âmbito do projeto UID/MULTI/04546/2016.
  • É igualmente relevante o apoio incondicional da Fundação Fernando Pessoa.

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Mais informações em: https://portobenzeno.wordpress.com/